Limite de faturamento, impostos, funcionários e sócios lado a lado, os sinais de que o negócio já não cabe no MEI e em que pé está o projeto que pode mudar o teto.
A escolha entre MEI ou ME está na estrutura do seu negócio. A diferença entre MEI ou ME é simples: o MEI fatura até R$ 81 mil por ano, paga um valor fixo por mês e pode ter um funcionário. A ME (microempresa) fatura até R$ 360 mil, paga imposto sobre o faturamento, pode ter sócios e mais funcionários, mas precisa de contabilidade.
Se o seu negócio está crescendo, a dúvida entre MEI ou ME aparece cedo ou tarde, normalmente quando o faturamento encosta no limite ou quando surge a chance de contratar mais gente. Este texto faz parte do guia de empreendedorismo feminino no Brasil e mostra, com conta, quando vale migrar e o que muda no bolso.

- O que é MEI e o que é ME?
- MEI ou ME: as diferenças em tabela
- Quando migrar de MEI para ME?
- O que acontece se o MEI passar do limite?
- MEI ou ME na prática: quanto custa migrar e o caso real de transformação
- Em que pé está o PLP 108/21, que muda o limite do MEI?
- Como fazer a migração de MEI para ME
- Vídeo recomendado: MEI vs ME passo a passo
- Perguntas frequentes
- MEI ou ME: qual é melhor?
- Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?
- O que acontece se o MEI faturar mais de R$ 81 mil?
- Quanto uma ME paga de imposto?
- Como escolher entre MEI ou ME ao abrir o CNPJ?
- Posso ter sócio sendo MEI?
- Crescer é bom quando a conta fecha
O que é MEI e o que é ME?
MEI (Microempreendedor Individual) é a forma mais simples de ter CNPJ no Brasil: uma pessoa, sem sócios, em uma atividade permitida, com faturamento de até R$ 81 mil por ano e uma contribuição mensal fixa, o DAS. ME (Microempresa) é uma empresa de pequeno porte, com faturamento de até R$ 360 mil por ano, que pode ter sócios e costuma pagar impostos pelo Simples Nacional, com alíquota sobre o que vende.
Pensa no MEI como o primeiro apartamento: pequeno, barato de manter e com regras simples. A ME é a casa maior: cabe mais gente, dá para crescer, mas a conta de condomínio vem mais alta. Ao comparar MEI ou ME, a decisão final depende de quanto espaço o seu negócio precisa hoje.
MEI ou ME: as diferenças em tabela
| MEI | ME (no Simples Nacional) | |
|---|---|---|
| Faturamento anual | Até R$ 81 mil (média de R$ 6.750 por mês) | Até R$ 360 mil |
| Impostos | DAS fixo: R$ 82,05 (comércio ou indústria), R$ 86,05 (serviços) ou R$ 87,05 (comércio e serviços) em 2026 | Percentual sobre o faturamento, a partir de 4% no comércio e 6% em muitos serviços, conforme o anexo |
| Funcionários | Até 1, com salário mínimo ou piso da categoria | Sem limite fixo para ser ME (o custo de folha é que pesa) |
| Sócios | Não pode ter sócio nem ser sócia de outra empresa | Pode ter sócios |
| Atividades | Só as da lista do MEI (profissões regulamentadas ficam de fora) | Lista bem mais ampla |
| Contabilidade | Não é obrigatória; basta a declaração anual | Obrigatória, com contadora ou contador |
| Pró-labore | Não precisa declarar | Sócias que trabalham na empresa recebem pró-labore, com INSS |
Analisando o cenário de MEI ou ME, os valores do DAS consideram a contribuição ao INSS de 5% do salário mínimo de 2026 (R$ 81,05), segundo a InfinitePay, mais R$ 1 de ICMS para comércio e indústria e R$ 5 de ISS para serviços.
Quando migrar de MEI para ME?
Na avaliação de MEI ou ME, o momento de migrar chega quando o negócio já não cabe nas regras do MEI, ou quando ficar nele passa a travar o crescimento. Para definir entre MEI ou ME, estes são os sinais mais comuns:
- O faturamento está perto de R$ 81 mil por ano, ou a média mensal passa de R$ 6.750 com frequência.
- Você precisa de um segundo funcionário para dar conta da demanda.
- Surgiu uma sócia ou um sócio para o negócio.
- A sua atividade não está na lista do MEI, ou você quer incluir um serviço que não está.
- Clientes empresas exigem uma estrutura maior (contratos, certidões, notas de valores altos).
- Você quer crédito ou investimentos maiores, que costumam exigir balanço e contabilidade.
Se dois ou mais sinais aparecem ao mesmo tempo, a resposta para MEI ou ME provavelmente já é ME, e é hora de conversar com a contabilidade. E antes disso, vale saber se o negócio tem lucro para bancar o novo custo: o guia de como calcular margem de lucro ajuda nessa conta.
O que acontece se o MEI passar do limite?
Depende de quanto passou. A regra é a mesma para qualquer pessoa que esteja na dúvida entre MEI ou ME e estourou o teto:
- Até 20% acima do limite (até R$ 97.200 no ano): você continua MEI até dezembro, paga um DAS complementar sobre o valor que passou e vira ME a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.
- Mais de 20% acima do limite: o desenquadramento é retroativo a janeiro do ano em que você passou do teto. Na prática, você paga os impostos de ME sobre o ano inteiro, com possíveis juros e multa.
- No primeiro ano de atividade, o limite é proporcional: R$ 6.750 multiplicado pelos meses de funcionamento.
| Fique de olho no faturamento todo mês! Quem está na fronteira entre MEI ou ME precisa somar o faturamento a cada mês e comparar com a média de R$ 6.750. Quem só descobre que passou do limite na declaração anual perde a chance de planejar a migração. |
MEI ou ME na prática: quanto custa migrar e o caso real de transformação
Para entender como a transição entre MEI e ME funciona no mundo real, vamos acompanhar a jornada da Débora, uma empreendedora de São Paulo que transformou sua paixão por bijuterias e acessórios artesanais em um e-commerce de sucesso. No início, quando abriu o CNPJ como MEI, a conta era fácil de fechar. Ela pagava a taxa fixa do DAS de cerca de R$ 82 por mês, vendia suas peças pelas redes sociais e cuidava de tudo sozinha: produção, embalagem, envios e atendimento aos clientes.
Com o passar dos meses, as coleções da Débora viralizaram. Em 2026, ao fazer o acompanhamento mensal do faturamento, ela percebeu que alcançaria R$ 90 mil no acumulado do ano — uma média constante de R$ 7.500 por mês. Foi aí que bateu o alerta: o MEI estourou o limite de R$ 81 mil por ano. Ao consultar os cenários de desenquadramento do MEI, Débora viu que tinha ultrapassado o teto em R$ 9 mil, valor que se mantém dentro da margem de tolerância de até 20% (limite teto de R$ 97.200).
A regra fiscal determina que, nessa faixa de excesso, ela pode continuar operando como MEI até 31 de dezembro. Ao emitir a declaração anual, Débora pagará um DAS complementar incidente exclusivamente sobre o excedente de R$ 9 mil. Contudo, a partir de 1º de janeiro de 2027, o desenquadramento do MEI torna-se obrigatório, e sua empresa passará a atuar formalmente como ME (Microempresa) enquadrada no Simples Nacional.
Na hora de escolher entre MEI ou ME, vamos comparar o impacto financeiro direto no caixa da Débora para entender quanto custa essa mudança:
- Custo tributário como MEI: Durante o ano todo, o imposto fixo do MEI no comércio custou R$ 984,60 (12 parcelas de R$ 82,05).
- Custo tributário inicial como ME: Com o mesmo faturamento anual de R$ 90 mil, enquadrada na alíquota inicial do Anexo I do Simples Nacional (4% para comércio), o imposto bruto passará para aproximadamente R$ 3.600 por ano (cerca de R$ 300 mensais).
- Estrutura operacional da ME: Além dos impostos sobre o faturamento, Débora agora precisará incluir em suas despesas fixas os honorários mensais de um serviço de contabilidade obrigatoriamente contratado.
A princípio, no dilema entre MEI ou ME, essa diferença de custos pode parecer um aumento assustador. No entanto, a transição entre MEI ou ME destravou o negócio da Débora. Como ME, ela pôde contratar uma assistente para cuidar da expedição dos produtos, liberando seu tempo para focar no marketing e na expansão do catálogo. Além disso, ter um CNPJ de ME com contabilidade formal permitiu que ela negociasse prazos melhores com fornecedores e obtivesse crédito bancário com taxas mais baixas.
O segredo da Débora para não passar sufoco na transição foi o planejamento prévio. Sabendo que o MEI estourou o limite, ela recalculou a margem de lucro de suas peças, reajustou levemente os preços antes mesmo do desenquadramento do MEI e criou uma reserva de caixa. Dessa forma, a transição de MEI para ME deixou de ser uma dor de cabeça burocrática e tornou-se a porta de entrada para um negócio lucrativo e escalável.
A conta da transição MEI ou ME mostra por que a escolha não é só burocrática: ela mexe na margem. Quem avalia MEI ou ME precisa revisar preço, custos e o próprio salário.
Se o seu negócio também está nesse momento decisivo e você precisa definir metas claras, ajustar a precificação e dominar a gestão financeira seja como MEI ou ME, garanta seu lugar na Mesa de Negócios. Neste evento exclusivo da Me Poupe!, você vai aprender a construir um plano prático para estruturar o caixa, recalcular margens e preparar a empresa para faturar com segurança.

Em que pé está o PLP 108/21, que muda o limite do MEI?
O PLP 108/2021 (Projeto de Lei Complementar) propõe aumentar o limite do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil por ano e permitir até dois funcionários. O projeto veio do Senado. Na Câmara, a urgência foi aprovada em 17 de março de 2026, e em abril foi criada uma comissão especial para analisar o tema. Em agosto, segundo levantamento sobre a tramitação, o projeto aguardava o parecer do relator.
Até a data desta publicação, o projeto não virou lei, e o limite continua em R$ 81 mil. Se for aprovado na Câmara com mudanças, volta ao Senado; depois, segue para sanção. Ou seja: no dilema MEI ou ME, planeje o seu negócio com a regra de hoje, e não com a que pode vir.
A Me Poupe! atualiza o assunto no texto sobre o novo limite do MEI.
Como fazer a migração de MEI para ME
Se na sua análise entre MEI ou ME a resposta já é ME, o caminho prático para a migração costuma ser este:
1. Procure uma contadora ou um contador antes de pedir o desenquadramento. A contabilidade ajuda a escolher o tipo de empresa, o regime tributário e o anexo do Simples.
2. Faça o pedido de desenquadramento do MEI no Portal do Simples Nacional (ou acompanhe o desenquadramento automático, se você passou do limite).
3. Atualize o cadastro do CNPJ, as licenças da prefeitura e a forma de emitir nota fiscal.
4. Defina o seu pró-labore: como ME, ele passa a ter INSS e entra na folha. O guia de como calcular pró-labore mostra a conta.
5. Revise preços e margens com os novos impostos incluídos.
Vídeo recomendado: MEI vs ME passo a passo
Prefere aprender assistindo? No canal da Me Poupe! no YouTube, preparamos um guia completo em vídeo detalhando todas as pegadinhas e vantagens na migração de MEI para ME, os cuidados com a declaração anual e como fazer seu negócio crescer sem passar sufoco com impostos do Simples Nacional.
Assista ao vídeo abaixo e entenda em detalhes as principais diferenças entre MEI ou ME e o que muda no seu CNPJ ao fazer o desenquadramento:
Ainda não separou as contas da empresa e as suas pessoais? Esse é o passo zero para qualquer pessoa que estuda a transição entre MEI ou ME: confira nosso guia de como separar o dinheiro da empresa do pessoal.
Perguntas frequentes
MEI ou ME: qual é melhor?
Depende do tamanho do negócio. O MEI é mais barato e simples para quem fatura até R$ 81 mil por ano, trabalha sozinho ou com um funcionário e não tem sócios. A ME é para quem já passou desses limites ou precisa de estrutura maior, mesmo pagando mais impostos e contabilidade.
Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?
R$ 81 mil por ano, uma média de R$ 6.750 por mês. O PLP 108/2021, que propõe elevar o teto para R$ 130 mil, ainda não virou lei.
O que acontece se o MEI faturar mais de R$ 81 mil?
Se o excesso for de até 20% (até R$ 97.200), você paga um DAS complementar e vira ME em janeiro do ano seguinte. Acima de 20%, o desenquadramento é retroativo a janeiro do ano em que passou do limite, com impostos de ME sobre o ano todo.
Quanto uma ME paga de imposto?
No Simples Nacional, a ME paga um percentual sobre o faturamento, que começa em 4% no comércio e em 6% em muitas atividades de serviço, e sobe conforme o faturamento e o anexo da atividade. A contabilidade define o anexo correto.
Como escolher entre MEI ou ME ao abrir o CNPJ?
Se você vai trabalhar sozinha, em uma atividade da lista do MEI e com previsão de faturar até R$ 81 mil por ano, o MEI costuma ser o começo mais simples e barato. Se já tem sócia, atividade fora da lista ou previsão de faturar mais, comece como ME.
Posso ter sócio sendo MEI?
Não. O MEI é individual e não pode ter sócios, nem participar de outra empresa como sócio ou titular. Para ter sócia ou sócio, é preciso abrir uma ME ou outro tipo de empresa.

Crescer é bom quando a conta fecha
A decisão entre MEI ou ME não é sobre status, é sobre o tamanho certo para o momento do seu negócio. Ficar no MEI enquanto cabe é economia; migrar na hora certa na disputa MEI ou ME, com preço e margem ajustados, é crescimento com controle.
Para o mapa completo de gestão, volte ao nosso guia de empreendedorismo feminino no Brasil e aprofunde seus conhecimentos acessando o artigo sobre finanças para empreendedoras.
| Do CNPJ pequeno ao negócio estruturado que trabalha para vocêGestão, metas financeiras e planejamento estratégico para superar o limite do MEI 2026 estão na pauta da Mesa de Negócios da Me Poupe!. Participe e dê o próximo passo com segurança. |
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo. Não se trata de recomendação de investimento nem de promessa ou garantia de ganhos.





