Você sabe como separar o dinheiro da empresa do pessoal? Contas PF e PJ, pró-labore e cada boleto no lugar certo: o guia para a sua empresa parar de bancar a sua vida (e você parar de bancar a empresa sem perceber).
Chegou a hora de você saber como separar o dinheiro da empresa do pessoal. Essa é uma decisão difícil e importante. E, para isso, você precisa de três coisas: uma conta bancária só para o CNPJ, um pró-labore fixo (o seu salário de dona ou dono do negócio) e uma regra clara de qual boleto sai de qual conta. O resto é registro, disciplina e um bom contador do seu lado.
- Quem são Ruth e Raquel no seu dinheiro?
- Por que misturar contas PF e PJ é um problema?
- Como separar o dinheiro da empresa do pessoal em 7 passos
- 1. Tire uma Selfie da riqueza das duas
- 2. Abra uma conta só para o CNPJ
- 3. Defina o seu pró-labore
- 4. Divida os boletos
- 5. Separe também os cartões
- 6. Registre toda movimentação entre PF e PJ
- 7. Monte duas reservas de emergência
- Pró-labore: como calcular o seu salário de dona ou dono do negócio
- Quanto tirar de pró-labore?
- Quanto o pró-labore paga de imposto em 2026?
- Pró-labore x distribuição de lucros
- Na prática: a Patrícia e o pró-labore que não fecha a conta
- Separação de boletos: qual conta paga o quê?
- E se eu for MEI? Como separar contas PF e PJ no microempreendedor individual
- Na prática: a Dani e o fim do “tiro o que dá”
- Erros comuns ao separar o dinheiro da empresa do pessoal
- Ferramentas que ajudam a manter Ruth e Raquel separadas
- Perguntas frequentes sobre como separar o dinheiro da empresa do pessoal
- Como separar o dinheiro da empresa do pessoal?
- MEI precisa ter conta PJ?
- Posso pagar um boleto pessoal com a conta da empresa?
- Qual o valor mínimo do pró-labore em 2026?
- Pró-labore paga imposto?
- Qual a diferença entre pró-labore e distribuição de lucros?
- Distribuição de lucros paga imposto em 2026?
- E se a empresa precisar do meu dinheiro pessoal?
- Quanto deixar de reserva de emergência na empresa?
- Como separar as contas se trabalho em casa?
- Ruth e Raquel, cada uma na sua casa
Quem são Ruth e Raquel no seu dinheiro?
Ruth e Raquel são a sua pessoa física e a sua pessoa jurídica: gêmeas idênticas por fora e completamente diferentes por dentro. Quem viu a novela Mulheres de Areia (TV Globo, 1993) lembra das irmãs: mesmo rosto, mesma família, personalidades opostas. Quando uma ocupa o lugar da outra, ninguém mais sabe quem é quem, e o drama está armado.
Na hora de entender como separar o dinheiro da empresa do pessoal e de ver como isso impacta o seu bolso é igual. Pessoa física (PF) é você, com CPF, casa, família, sonhos e boletos. Pessoa jurídica (PJ) é a empresa, com CNPJ, clientes, fornecedores, impostos e obrigações próprias. As duas têm o mesmo rosto (o seu), mas precisam de contas, orçamentos e reservas separados.
Neste guia de como separar o dinheiro da empresa do pessoal, a Ruth é a sua vida pessoal e a Raquel é a sua empresa. Nenhuma das duas é a vilã. O problema começa quando elas dividem a mesma carteira, e a Raquel, que sempre tem fome de caixa, passa a pagar o mercado da Ruth, enquanto a Ruth cobre o fornecedor da Raquel no cartão pessoal. No fim do mês, nenhuma das duas sabe quanto tem.
Como a Nathalia Arcuri, especialista em finanças e fundadora da Me Poupe!, explica no livro Chefe de mim, quem trabalha por conta própria deve saber como separar o dinheiro da empresa do pessoal porque a pessoa tem duas vidas financeiras: a da empresa e a sua. O divórcio entre Ruth e Raquel, ou seja, separar o dinheiro da empresa do pessoal, é o que permite que as duas prosperem, cada uma na sua casa.
Por que misturar contas PF e PJ é um problema?
Misturar o dinheiro da empresa com o pessoal é um problema porque você perde a capacidade de saber se o negócio dá lucro, quanto você realmente ganha e quanto pode gastar sem afundar nenhuma das duas. E não é um problema raro.
Segundo a pesquisa Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, do Sebrae, 61% dos donos de pequenos negócios usavam a conta pessoal para pagar despesas da empresa em 2025, praticamente o mesmo índice de 2023 (60%). A mesma pesquisa mostra que cinco em cada dez têm controle financeiro considerado precário.
Na prática, a mistura causa quatro estragos:
- Lucro de mentira. A conta da empresa parece cheia porque você ainda não tirou o seu salário, ou parece vazia porque ela pagou o aluguel da sua casa. Nos dois casos, o número não diz a verdade. A Me Poupe! detalha isso em 5 sinais de que seu negócio não dá lucro.
- Preço errado. Se o seu trabalho não aparece como custo, você cobra menos do que deveria e acha que o problema é vender pouco.
- Imposto e crédito. Despesas da empresa pagas no CPF ficam invisíveis para a contabilidade, distorcem a apuração de impostos e deixam o histórico do CNPJ fraco na hora de pedir crédito.
- Risco para os seus bens. O artigo 50 do Código Civil chama de confusão patrimonial a falta de separação de fato entre os patrimônios, como a empresa pagar repetidamente contas do sócio. Nesses casos, um juiz pode estender dívidas da empresa aos bens particulares de quem é dono.
“Ah, mas a empresa sou eu.” É exatamente por isso que você precisa saber como separar o dinheiro da empresa do pessoal, criatura. Se você é a empresa, quem cuida dos números dela também é você, e aprender a separar o dinheiro da empresa do pessoal é o primeiro trabalho dessa função.
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Como separar o dinheiro da empresa do pessoal em 7 passos
Separar o dinheiro da empresa do pessoal é um processo de sete passos: fotografar as duas vidas, abrir contas separadas, definir o pró-labore, dividir os boletos, separar cartões, registrar toda movimentação entre PF e PJ e montar duas reservas de emergência. Dá para começar hoje e terminar em um mês. Se você empreende e quer ir além das contas, olhando também preço, caixa e o seu tempo, veja o guia de finanças para empreendedoras.
1. Tire uma Selfie da riqueza das duas
Antes de mudar qualquer coisa, olhe para onde você está. A Selfie da riqueza é o método da Me Poupe! para fotografar o patrimônio: quanto entra, quanto sai, quanto você deve e quanto tem investido. Faça duas selfies: uma da Ruth (sua vida pessoal) e uma da Raquel (a empresa). Pegue os extratos dos últimos três meses e marque cada gasto com PF ou PJ.
2. Abra uma conta só para o CNPJ
A conta PJ é a casa da Raquel e o primeiro passo concreto para separar o dinheiro da empresa do pessoal. Todo dinheiro de cliente entra nela e toda despesa do negócio sai dela. Para abrir, você precisa ter CNPJ ativo. Hoje há contas digitais PJ sem tarifa de manutenção, então o custo deixou de ser desculpa. Se ainda não sabe qual escolher, a Me Poupe! comparou as principais contas digitais.
Comece trocando as chaves Pix e os dados de pagamento que você passa para clientes. Enquanto o cliente pagar no seu CPF, o divórcio fica só no papel.
3. Defina o seu pró-labore
O pró-labore é a pensão… quer dizer, o salário que a Raquel paga à Ruth todo mês pelo trabalho. Valor fixo, data fixa, transferência da conta PJ para a conta PF. É com esse dinheiro, e só com ele, que você paga a sua vida. Na próxima seção tem o passo a passo para calcular o valor.
4. Divida os boletos
Cada boleto precisa ter uma dona. Conta de luz de casa é da Ruth; aluguel da sala comercial é da Raquel. Os casos que geram dúvida estão na tabela da seção de boletos, mais abaixo.
5. Separe também os cartões
Cartão pessoal para gastos pessoais, cartão PJ para gastos da empresa. Misturar cartões é o jeito mais rápido de desfazer os passos anteriores. E cartão, dos dois lados, é meio de pagamento, não extensão de renda: o guia para usar cartão de crédito sem se endividar vale para a Ruth e para a Raquel.
6. Registre toda movimentação entre PF e PJ
Dinheiro pode e vai passar de uma conta para a outra. A regra é que toda passagem tem nome e registro:
- Da PJ para a PF: pró-labore, distribuição de lucros ou reembolso de despesa da empresa paga por você (com comprovante).
- Da PF para a PJ: aporte de capital ou empréstimo do sócio, com valor, data e combinado de devolução.
Mande esses registros ao contador todo mês. Transferência sem nome vira dor de cabeça na contabilidade e no Imposto de Renda.
7. Monte duas reservas de emergência
A Ruth precisa de uma reserva de emergência de seis meses do custo de vida, como ensina o Guia prático Me Poupe!. A Raquel precisa da dela, para atravessar um mês fraco sem atrasar fornecedor nem o seu pró-labore. Uma referência comum é começar com três meses de custos fixos da empresa. Para a reserva pessoal, use o simulador de reserva de emergência da Me Poupe! e o guia para montar a reserva em um ano.
Se olhar tudo isso de uma vez deu um frio na barriga, respira: ninguém nasce sabendo ser empresária ou empresário. Se você quer aprender a separar as duas vidas com acompanhamento, o workshop Mesa de Negócios vai te mostrar tudo o que você precisa saber para blindar o negócio com um documento que vai ser essencial nessa divisão entre pessoa física e pessoa jurídica. Clique aqui e saiba mais.

Pró-labore: como calcular o seu salário de dona ou dono do negócio
Pró-labore é a remuneração mensal de quem trabalha na administração da própria empresa. A expressão vem do latim e significa “pelo trabalho”. É diferente do lucro: o pró-labore paga o seu trabalho; o lucro remunera o risco de ter um negócio. Sem ele, não dá para separar o dinheiro da empresa do pessoal, porque você nunca sabe quanto é seu.
Quanto tirar de pró-labore?
Não existe um número único. Existem três perguntas, e o seu pró-labore mora onde as três se encontram:
- Quanto a Ruth precisa para viver? Some o custo de vida mensal da sua casa. Se você usa o método 70/30, o pró-labore precisa cobrir os 70% do presente e ainda deixar espaço para os 30% do futuro.
- Quanto o mercado paga pela sua função? Se você contratasse alguém para fazer o que você faz, quanto pagaria? Esse é o teto natural. O simulador Quanto custa seu tempo ajuda a pensar no valor da sua hora.
- Quanto a Raquel aguenta pagar? Pegue a média de faturamento dos últimos meses, desconte custos, despesas e impostos. O pró-labore precisa caber nesse resultado com folga, sem esvaziar o caixa.
Se a resposta 1 for maior que a 3, o negócio está pedindo mais do que entrega. Aí os caminhos são rever preço, cortar custo da empresa, ajustar a vida pessoal ou crescer as vendas. Não é fracasso: é diagnóstico.
Quanto o pró-labore paga de imposto em 2026?
O pró-labore tem dois descontos: INSS e Imposto de Renda. Os valores abaixo valem para 2026:
| Item | Regra em 2026 |
|---|---|
| Valor mínimo de referência | Salário mínimo: R$ 1.621 (Decreto nº 12.797/2025) |
| INSS do sócio | 11% do pró-labore, até o teto de R$ 8.475,55 (máximo de R$ 932,31 por mês) |
| INSS patronal | Depende do regime: no Simples Nacional, em geral já está no DAS; no Anexo IV e no Lucro Presumido, a empresa paga 20% à parte |
| Imposto de Renda | Isento para rendimento tributável mensal de até R$ 5.000; redução gradual até R$ 7.350; acima disso, tabela progressiva normal |
| FGTS, 13º e férias | Não se aplicam ao pró-labore |
Esses números mudam todo ano. Confirme sempre com o seu contador, principalmente se você tem mais de uma fonte de renda: a Receita Federal avisa que, nesse caso, a diferença de IR pode ser cobrada na declaração anual.
Pró-labore x distribuição de lucros
| Pró-labore | Distribuição de lucros | |
|---|---|---|
| O que paga | O seu trabalho | O resultado do negócio |
| Frequência | Todo mês, valor fixo | Depois de apurar o lucro do período |
| Para a empresa | É custo | Só existe se sobrou dinheiro |
| Imposto na PF (2026) | INSS de 11% e IR pela tabela | Retenção de 10% só acima de R$ 50 mil por mês da mesma empresa |
Tirar todo o seu dinheiro como “lucro” para fugir do INSS parece esperto, mas tem custo escondido: você deixa de contribuir para a aposentadoria e outros benefícios, e o lucro sem apuração contábil pode ser questionado. A combinação mais saudável costuma ser um pró-labore que pague a vida e uma distribuição de lucros periódica quando o resultado permitir.
Na prática: a Patrícia e o pró-labore que não fecha a conta
A Patrícia tem um estúdio de design com CNPJ no Simples Nacional e fatura em média R$ 14.000 por mês. Os custos fixos e impostos da empresa somam R$ 3.190 (DAS de cerca de R$ 840, coworking de R$ 900, softwares de R$ 450, contador de R$ 400 e marketing de R$ 600). Antes do pró-labore, sobram R$ 10.810.
Ela definiu um pró-labore de R$ 3.500. Desconta 11% de INSS (R$ 385) e recebe R$ 3.115 líquidos. Como o rendimento é de até R$ 5.000, não há IR mensal em 2026. O problema: o custo de vida da Patrícia é de R$ 4.500. Faltam R$ 1.385 todo mês, e é aí que ela começa a pagar o mercado com o Pix da empresa.
- Caminho 1, ajustar o pró-labore: subir para R$ 5.000. O INSS vai a R$ 550, o líquido fica em R$ 4.450, ainda sem IR mensal, e o lucro da empresa cai de R$ 7.310 para R$ 5.810 por mês.
- Caminho 2, pró-labore + lucros: manter os R$ 3.500 e, com o contador, apurar e distribuir lucro todo mês ou trimestre para cobrir a diferença. A distribuição fica bem abaixo dos R$ 50 mil mensais, então não há retenção de 10%.
- Caminho 3, ajustar a Ruth: rever os gastos pessoais para caber nos R$ 3.115 e usar o lucro para turbinar as reservas.Qualquer um dos três funciona. O que não funciona é o caminho 4, o de tirar “o que der” sem registro.
Valores ilustrativos, com regras de INSS e IR de outubro de 2026; a alíquota do DAS varia conforme atividade e faturamento.
Se o seu caso é parecido com o da Patrícia, e você sente que o negócio decide por você quanto você pode ganhar, o workshop Mesa de Negócios com Nathalia Arcuri é o lugar para você discutir muitas dessas dúvidas. Clique aqui e saiba mais.

Separação de boletos: qual conta paga o quê?
A separação de boletos é o dia a dia de quem decidiu separar o dinheiro da empresa do pessoal: a regra que diz, para cada conta que chega, se ela é da Ruth ou da Raquel. Se a despesa só existe por causa do negócio, é PJ. Se existiria mesmo sem o negócio, é PF. Quando é das duas, combine um rateio com o contador.
| Boleto ou gasto | Quem paga | Observação |
|---|---|---|
| Aluguel, condomínio e luz de casa | PF | Mesmo que você trabalhe em casa, a casa é da Ruth |
| Aluguel de sala, coworking, loja | PJ | Contrato no nome do CNPJ sempre que der |
| Fornecedores, matéria-prima, estoque | PJ | Com nota fiscal no CNPJ |
| DAS, impostos da empresa, contador | PJ | Nunca no cartão pessoal |
| Mercado, escola, plano de saúde da família | PF | Pagos com o pró-labore |
| Internet e energia em home office | PF com reembolso | Rateio fixo combinado com o contador, com recibo |
| Celular | PJ se for linha do negócio | Uma linha para cada vida resolve a dúvida |
| Carro | Depende | Uso misto exige controle de quilometragem; na dúvida, fica na PF |
| Cursos e capacitação do negócio | PJ | Se ligados à atividade da empresa |
Dica de quem já apanhou: cadastre o débito automático de cada boleto na conta certa e passe a usar os dados do CNPJ em todo cadastro de fornecedor. Quanto menos decisão você tiver que tomar no dia do vencimento, menor a chance de a Raquel pagar a conta da Ruth.
E quando emitir nota, emita sempre pelo CNPJ. A Me Poupe! explica como funciona a nota fiscal para quem faz renda extra e quer se formalizar.
E se eu for MEI? Como separar contas PF e PJ no microempreendedor individual
Se você for MEI, você também precisa saber como separar o dinheiro da empresa do pessoal. Lembra que a gente tá falando como é importante manter contas PF e PJ distintas, mesmo que a lei não exija conta bancária no CNPJ? O MEI não tem pró-labore formal: a contribuição ao INSS já vem no DAS, que em 2026 custa a partir de R$ 81,05 (5% do salário mínimo) mais R$ 1 de ICMS e/ou R$ 5 de ISS, conforme a atividade. Mesmo assim, uma retirada mensal fixa cumpre o mesmo papel.
Fique de olho também no limite de faturamento do MEI, que segue em R$ 81 mil por ano (média de R$ 6.750 por mês). Com tudo misturado no CPF, fica difícil saber se você está perto do teto.
Na prática: a Dani e o fim do “tiro o que dá”
A Dani é MEI, faz design de sobrancelhas e fatura R$ 5.200 por mês (R$ 62.400 por ano, dentro do limite). As despesas do negócio somam R$ 1.600,05: DAS de R$ 86,05, produtos de R$ 620, aluguel da cadeira no salão de R$ 700, taxa da maquininha de 2% (R$ 104) e R$ 90 do celular do trabalho. Sobram R$ 3.599,95.
Antes de separar o dinheiro da empresa do pessoal, a Dani pagava a vida dela direto da mesma conta, cerca de R$ 3.400 por mês. Sobravam R$ 199,95 e ela não sabia se o negócio ia bem ou mal.
Agora ela definiu uma retirada fixa de R$ 2.900 no dia 5. A conta PJ fica com R$ 699,95 por mês para o caixa. Em cerca de sete meses, a Raquel junta três meses de despesas fixas (R$ 4.800) de reserva.
Mas a Ruth gastava R$ 3.400, R$ 500 a mais que a retirada. Três caminhos: cortar R$ 500 de gastos pessoais; reajustar o preço em 10%, o que traz cerca de R$ 520 a mais por mês se a clientela se mantiver; ou um pouco de cada. A Dani escolheu reajustar 5% e cortar R$ 240 de assinaturas e delivery.
Valores ilustrativos, com DAS e salário mínimo de 2026.
Quer ir além? Veja os três passos financeiros para começar a empreender e o planejamento financeiro para autônomos, que mostra como lidar com renda que sobe e desce. E, se precificar ainda é um mistério, a história da autônoma que aumentou em 40% o valor da hora de trabalho é um bom começo.
Erros comuns ao separar o dinheiro da empresa do pessoal
Os erros mais comuns ao separar o dinheiro da empresa do pessoal são abrir a conta PJ e continuar recebendo no CPF, tirar dinheiro sem nome e confundir faturamento com salário. Veja a lista completa:
- Separar só no papel. Conta PJ aberta, mas clientes continuam pagando no Pix pessoal.
- Retirada “quando precisa”. Sem valor e data fixos, o pró-labore vira um saque eterno.
- Achar que todo o saldo é seu. Dinheiro na conta PJ tem dono: imposto do mês, fornecedor e reserva da empresa.
- Pagar despesa da empresa no cartão pessoal e esquecer de pedir reembolso. O custo some e o seu lucro parece maior do que é.
- Distribuir lucro todo mês sem apurar. Lucro não é o que sobrou na conta no dia 30; é o que a contabilidade apurou.
- Não ter reserva na PJ. No primeiro mês fraco, a Ruth volta a pagar as contas da Raquel e o casamento recomeça.
Os vídeos do canal Me Poupe! têm muito conteúdo para quem empreende e para quem quer saber como separar o dinheiro da empresa do pessoal. E, se quiser ver como outras mulheres construíram negócios sólidos, leia sobre empreendedoras de sucesso no Brasil.

Ferramentas que ajudam a manter Ruth e Raquel separadas
As ferramentas que mais ajudam a separar o dinheiro da empresa do pessoal são simples: duas contas, uma planilha (ou app) para cada vida e uma rotina mensal com o contador.
- Duas contas e dois cartões, de preferência em bancos ou perfis diferentes, para o olho não se confundir.
- Uma planilha para a PF e outra para a PJ. A Me Poupe! reuniu planilhas de finanças gratuitas para começar.
- Categorias no app do banco, se ele permitir separar entradas e saídas por tipo.
- Um contador, que registra pró-labore, aportes e lucros e evita que a Receita veja confusão onde existe organização.
- Um encontro mensal com os números: 30 minutos no dia do pró-labore para conferir se cada boleto saiu da conta certa.
Se você quer uma ferramenta pronta para organizar as duas vidas, o Planner Financeiro Executivo (PF/PJ) da Me Poupe! foi pensado para isso: baixe o planner aqui. E se você está dando os primeiros passos e quer um contato prático antes de decidir por um curso maior, o Workshop Mesa de Negócios é a porta de entrada do MBA: conheça o workshop.
Perguntas frequentes sobre como separar o dinheiro da empresa do pessoal
Como separar o dinheiro da empresa do pessoal?
Abra uma conta bancária só para o CNPJ, defina um pró-labore fixo que sai da conta da empresa para a sua em uma data certa e pague cada boleto pela conta a que ele pertence. Toda transferência entre as duas contas precisa ter nome e registro: pró-labore, lucro, reembolso, aporte ou empréstimo.
MEI precisa ter conta PJ?
A lei não obriga o MEI a ter conta bancária no CNPJ, mas ela é o jeito mais simples de separar o dinheiro da empresa do pessoal e de enxergar quanto o negócio fatura e quanto custa. Muitos bancos oferecem conta PJ sem tarifa de manutenção para MEI. Com a conta separada, a declaração anual (DASN-SIMEI) e o controle do limite de faturamento de R$ 81 mil por ano ficam bem mais fáceis.
Posso pagar um boleto pessoal com a conta da empresa?
Até pode cair no sistema do banco, mas o certo é não fazer. Se aconteceu, registre o valor como retirada (pró-labore ou antecipação de lucro) e avise o contador. Quando a empresa paga contas do sócio de forma repetida, o Código Civil trata isso como confusão patrimonial, um dos motivos que permitem a um juiz alcançar os bens pessoais em caso de dívida da empresa.
Qual o valor mínimo do pró-labore em 2026?
Para quem recolhe INSS sobre o pró-labore, a referência mínima é o salário mínimo, que é de R$ 1.621 desde janeiro de 2026. O valor ideal depende do seu custo de vida, do que o mercado paga pela sua função e do que o caixa da empresa aguenta sem aperto. O MEI não tem pró-labore formal: ele faz retiradas e já contribui ao INSS pelo DAS.
Pró-labore paga imposto?
Sim. O sócio contribui com 11% de INSS sobre o pró-labore, limitado ao teto de R$ 8.475,55 em 2026 (desconto máximo de R$ 932,31). Também entra no Imposto de Renda: desde janeiro de 2026, quem tem rendimento tributável mensal de até R$ 5.000 fica isento do IR mensal, e entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 há redução gradual, segundo a Receita Federal.
Qual a diferença entre pró-labore e distribuição de lucros?
Pró-labore é o pagamento pelo seu trabalho na empresa, um valor fixo mensal que funciona como salário. Distribuição de lucros é a sua parte do que sobrou depois de pagar todas as despesas, inclusive o pró-labore. O primeiro é custo da empresa; o segundo só existe se o negócio de fato deu lucro no período.
Distribuição de lucros paga imposto em 2026?
Desde janeiro de 2026, com a Lei nº 15.270/2025, há retenção de 10% de IR quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil por mês em lucros a uma mesma pessoa física, e a retenção vale sobre o total do mês. Abaixo disso, a distribuição segue sem retenção, desde que o lucro esteja apurado na contabilidade. Para empresas do Simples Nacional, vale confirmar a regra com o seu contador.
E se a empresa precisar do meu dinheiro pessoal?
Pode acontecer, principalmente no começo. O caminho é registrar a transferência como aporte de capital ou como empréstimo do sócio para a empresa, com data, valor e combinado de devolução. Assim o dinheiro não some na contabilidade e você sabe exatamente quanto a empresa te deve.
Quanto deixar de reserva de emergência na empresa?
Não existe número mágico, mas uma referência comum para começar é juntar o equivalente a três meses de custos fixos do negócio e ir ampliando com o tempo. Essa reserva é da empresa e fica separada da reserva pessoal, que a Me Poupe! recomenda ser de seis meses do seu custo de vida.
Como separar as contas se trabalho em casa?
Despesas que são só da casa ficam na pessoa física. Despesas que são só do negócio, como um segundo chip de celular ou um software, vão para a PJ. As compartilhadas, como internet e energia, precisam de uma regra combinada com o contador: por exemplo, a PF paga a conta e a empresa reembolsa uma parte fixa, com recibo.
Ruth e Raquel, cada uma na sua casa
Separar o dinheiro da empresa do pessoal não é burocracia: é o que permite que você saiba quanto ganha, quanto o seu negócio lucra e quanto pode sonhar. Comece hoje pelo passo mais simples, a Selfie da riqueza das duas, e marque a data do seu primeiro pró-labore fixo.
Como a Nath costuma dizer: “Ela aprendeu a empreender, mas não aprendeu a ser empresária.” A boa notícia é que dá para aprender, e o primeiro passo cabe nesta semana.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo. Não se trata de recomendação de investimento nem de promessa ou garantia de ganhos.





