Os números das mulheres que empreendem no país, os desafios que pesam mais para elas e o caminho para o negócio parar de mandar na vida da dona.

Empreendedorismo feminino é a criação e a gestão de negócios liderados por mulheres. No Brasil, segundo o Sebrae, são 10,4 milhões de donas de negócio, o maior número da série histórica. Mesmo assim, elas ainda são cerca de um terço de quem empreende, ganham menos que os homens e enfrentam juros mais altos e jornada dupla.

Este guia reúne os dados mais recentes do empreendedorismo feminino no Brasil, aborda o papel do empreendedorismo feminino no país, destaca os desafios do empreendedorismo feminino no mercado atual, traz soluções para fortalecer o empreendedorismo feminino, apresenta caminhos práticos para o empreendedorismo feminino prosperar e orienta como aplicar o empreendedorismo feminino no dia a dia para sair do modo sobrevivência. Ao longo do texto, você encontra links para os guias de cada tema, de margem de lucro a precificação.

O empreendedorismo feminino cresce cada vez mais no Brasil

O que é empreendedorismo feminino?

Empreendedorismo feminino é o conjunto de negócios criados, administrados ou liderados por mulheres, do MEI que vende bolo de pote à empresa com dezenas de funcionários. Entender o empreendedorismo feminino é vital. O conceito de empreendedorismo feminino também nomeia o movimento de apoio a essas mulheres, porque elas vivenciam o empreendedorismo feminino em condições diferentes das dos homens.

O empreendedorismo feminino não é um setor da economia. O movimento do empreendedorismo feminino é um recorte que ajuda a enxergar barreiras específicas do empreendedorismo feminino: menos acesso a crédito, menos tempo disponível por causa do trabalho doméstico e menos redes de contato no mundo dos negócios. Entender esse recorte do empreendedorismo feminino é o primeiro passo para jogar o jogo sabendo as regras do empreendedorismo feminino.

Os números do empreendedorismo feminino no Brasil

O cenário do empreendedorismo feminino nunca foi tão grande no país, reforçando a relevância do empreendedorismo feminino. Segundo estudo do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE sobre o empreendedorismo feminino, o Brasil tinha 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, impulsionando o empreendedorismo feminino contra 8,2 milhões em 2015: um crescimento de 27% em dez anos para o empreendedorismo feminino.

IndicadorDadoFonte
Mulheres donas de negócio10,4 milhões (dez/2025), recorde da sérieSebrae, a partir da PNAD Contínua
Participação entre todos os donos de negócio34,3%, embora sejam 51,8% da população em idade ativaSebrae, a partir da PNAD Contínua
Taxa de empreendedorismo11,5% entre mulheres; 23,6% entre homensSebrae, a partir da PNAD Contínua
Donas de negócio com CNPJ37%Sebrae, a partir da PNAD Contínua
Pequenos negócios abertos por mulheres em 2025Mais de 2 milhões, cerca de 42% do total e recordeSebrae, a partir de dados da Receita Federal
Rendimento médio das donas de negócioR$ 2.867, 24,4% menor que o dos homens (4º tri/2024)Sebrae, a partir da PNAD Contínua
Donas de negócio que são chefes de domicílio52,3%Sebrae, a partir da PNAD Contínua

Traduzindo para o bolso: se o rendimento médio das empreendedoras é de R$ 2.867, a diferença de 24,4% em relação aos homens equivale a algo perto de R$ 900 a menos por mês. Em um ano, são mais de R$ 11 mil de diferença.

Outro dado do Sebrae mostra onde está o gargalo do empreendedorismo feminino: nas aberturas de 2025, as mulheres eram 42% de quem criou pequenos negócios no geral, mas só 39% entre as microempresas e empresas de pequeno porte no empreendedorismo feminino. Quanto maior o negócio no empreendedorismo feminino, menor a presença delas.

O mesmo levantamento mostra que o empreendedorismo feminino não está restrito a um setor. Em 2025, as mulheres estavam à frente de 45% dos negócios abertos na indústria, 44% nos serviços e 43% no comércio. Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou a proporção de empresas abertas por mulheres (44%), seguido do Rio Grande do Sul e de São Paulo (43% cada).

Os números contam duas histórias ao mesmo tempo. A primeira é de força: nunca tantas mulheres tiveram o próprio negócio. A segunda é de desigualdade: elas ainda faturam menos, crescem menos e chegam menos às empresas maiores. É nesse espaço entre as duas histórias que a gestão faz diferença.

Por que tantas mulheres empreendem?

As mulheres constroem o empreendedorismo feminino por oportunidade e por necessidade, impulsionando a força do empreendedorismo feminino. Há quem transforme um talento no empreendedorismo feminino em negócio e há quem recorra ao empreendedorismo feminino porque o mercado formal não coube na rotina.

Mais da metade das donas de negócio também é chefe de família, segundo o Sebrae. Isso explica por que muito empreendedorismo feminino nasce como renda extra e só depois vira empresa. Para quem está nessa fase, o guia de finanças para mulher chefe de família ajuda a organizar a casa enquanto o negócio cresce.

Os desafios do empreendedorismo feminino

Os principais desafios do empreendedorismo feminino no Brasil são três: acesso a crédito, dupla jornada e gestão do negócio. Eles se alimentam: menos tempo leva a menos gestão, menos gestão leva a menos crédito, e menos crédito trava o crescimento.

1. Crédito mais caro e mais difícil

Segundo o Sebrae, as mulheres que empreendem enfrentam taxas de juros mais elevadas. Para responder a isso, o Sebrae criou o Fampe Mulher, um fundo que oferece até 100% de garantia em empréstimos para negócios liderados por mulheres, por meio de instituições parceiras.

Crédito, porém, é ferramenta, não salvação. Empréstimo para cobrir buraco de caixa sem entender por que o buraco existe só aumenta o tamanho dele. Antes de pedir dinheiro emprestado, a pergunta é: esse dinheiro vai gerar mais receita do que o custo dos juros? Se a resposta não estiver clara, o problema provavelmente é de gestão, não de dinheiro.

2. Dupla jornada

O Sebrae aponta que as donas de negócio dedicam, em média, seis horas a menos por semana às suas empresas do que os homens, por causa da sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado. São mais de 24 horas por mês, quase um dia inteiro de trabalho que não vai para o negócio.

A saída não é trabalhar mais horas, é fazer as horas renderem mais: preço que paga o tempo, processos simples, rede de apoio e coragem para dizer não ao cliente que não cabe. O empreendedorismo feminino cresce de verdade quando a dona deixa de ser a única peça que faz tudo funcionar.

3. Gestão: faturar não é lucrar

Muita mulher aprende a fazer o produto ou o serviço com excelência, mas ninguém ensinou a gerir. Aí aparecem os sintomas: dinheiro da empresa pagando o mercado de casa, preço definido no chute e faturamento alto com nada sobrando no fim do mês. Se isso soa familiar, comece pelos 5 sinais de que o seu negócio não dá lucro.

Como resume a Nathalia Arcuri, especialista em finanças e fundadora da Me Poupe!, sobre uma aluna: “Ela aprendeu a empreender, mas não aprendeu a ser empresária.”

Gestão se aprende. O Workshop Mesa de Negócios, da Me Poupe!, foi desenhado para isso: finanças do negócio, decisão, liderança e crescimento com caixa, com estudos de caso e linguagem Me Poupe!. Bora garantir sua vaga? Clique aqui e inscreva-se.

Como é o empreendedorismo feminino no Brasil?

A virada: de empreendedora a mulher de negócios

A virada do empreendedorismo feminino acontece quando a dona sai do modo “eu preciso” para o modo “eu posso escolher”. No modo “eu preciso”, ela aceita qualquer cliente, trabalha no sábado, dá desconto que não cabe e sente que o negócio controla o tempo, o dinheiro e as escolhas dela.

No modo “eu posso escolher”, o negócio tem margem para dizer não. Não porque ela trabalha pouco, mas porque o preço paga o tempo, o caixa tem reserva e as decisões são tomadas olhando números, não medo. É a diferença entre ter um emprego que você mesma criou e ter uma empresa que trabalha para você.

Modo “eu preciso”Modo “eu posso escolher”
Aceita todo cliente, mesmo o que dá prejuízoEscolhe clientes pelo valor que eles trazem
Preço no chute ou copiado da concorrênciaPreço calculado a partir do custo e da margem
Tira dinheiro do caixa quando precisaPaga a si mesma um pró-labore fixo
Faz tudo sozinhaDelega, terceiriza ou automatiza o que não é estratégico
Crescer dá medo de perder o controleCresce com caixa e com processo

A Nath conhece esse caminho de perto: “Aconteceu comigo e tudo o que eu queria era que a minha empresa diminuísse.” Crescer não é sucesso absoluto. A meta é um negócio que entregue o que a dona quer conquistar com ele.

Exemplo prático: o salão da Marta

Vamos dar uma olhada na prática: quando o caixa do negócio vira a carteira da dona. A Marta tem um salão de beleza que fatura, em média, R$ 12.000 por mês e gasta R$ 7.800 com aluguel, produtos, comissão da manicure, energia e impostos. Fazendo uma conta rápida, sobram R$ 4.200 de lucro antes de pagar a própria Marta.

Só que ela não tem salário definido: tira dinheiro do caixa quando precisa. No fim do mês, as retiradas somam cerca de R$ 5.000. Mais uma conta rápida: 4.200 − 5.000 = R$ 800 negativos por mês. O negócio parece cheio de clientes e vive no limite.

E é aí que vem a virada da Marta: ela define um pró-labore fixo de R$ 3.000 e separa as contas. Agora sobram 4.200 − 3.000 = R$ 1.200 por mês no negócio.

Em seis meses, são R$ 7.200 de reserva para emergências, equipamento ou reforma.

Mesmo salão, mesmos clientes. Mas repare que o primeiro movimento não foi vender mais, mas sim mudar a gestão. É exatamente o que mostram os nossos guias de como separar o dinheiro da empresa do pessoal e de como calcular margem de lucro.

Passo a passo para organizar o seu negócio

Organizar o negócio é o que transforma o empreendedorismo feminino de sobrevivência em empreendedorismo de crescimento. Este é o caminho, na ordem em que costuma funcionar melhor:

1. Separe as duas vidas financeiras. A da empresa e a sua não podem se misturar, como mostra o livro Chefe de mim, da Nathalia Arcuri. Conta separada, sempre. Veja o passo a passo.

2. Defina o seu pró-labore. Um valor fixo, pago todo mês, que caiba no lucro do negócio.

3. Calcule a sua margem de lucro. Descubra quanto sobra de verdade a cada R$ 100 vendidos com o guia de margem de lucro.

4. Revise o preço. Se você vende serviço, calcule o custo da sua hora com o guia de precificação de serviços e confira se você está cobrando certo.

5. Monte a reserva de emergência do negócio. Separe uma parte do lucro todo mês até ter alguns meses de custos fixos guardados.

6. Formalize. Se ainda não tem CNPJ, veja se o MEI serve para você no texto sobre o limite do MEI. Formalizar abre portas para crédito, nota fiscal e benefícios do INSS.

7. Só então pense em crescer. Contratar, abrir filial ou buscar crédito faz sentido quando os números mostram que o negócio aguenta.

Para quem está começando do zero, o texto sobre os três passos financeiros para começar a empreender é a porta de entrada. Para quem já empreende, as finanças para empreendedoras aprofundam cada etapa.

Empreendedorismo feminino

Onde buscar apoio para empreender sendo mulher

Ninguém constrói um negócio sozinha. Rede de apoio é estratégia, não luxo. Estes são os caminhos mais comuns:

  • Sebrae: cursos, consultorias e programas voltados a mulheres, além do Fampe Mulher para garantia de crédito.
  • Comunidades de empreendedoras: grupos do seu setor ou da sua cidade para trocar fornecedores, indicações e experiências.
  • Contadora ou contador: para escolher o regime tributário e manter o CNPJ em dia.
  • Educação em gestão: cursos e programas que ensinam finanças, liderança e estratégia na prática.

Para se inspirar, a Me Poupe! reuniu histórias de empreendedoras de sucesso no Brasil, 5 lições de mulheres empreendedoras e 7 lições de Luiza Trajano. E para os comentários que toda dona de negócio já ouviu, tem o guia das 6 frases que toda mulher empreendedora já ouviu e como responder.

E se o que você procura é um programa completo, com comunidade de mulheres, estudos de caso e prática de mercado, conheça o Workshop Mesa de Negócios.

Perguntas frequentes sobre empreendedorismo feminino

O que é empreendedorismo feminino?

Empreendedorismo feminino é a criação e a gestão de negócios liderados por mulheres, de MEIs a empresas maiores. O termo também nomeia o movimento de apoio a essas mulheres, que empreendem com barreiras específicas, como crédito mais caro e menos tempo disponível.

Quantas mulheres empreendem no Brasil?

Segundo o Sebrae, com base na PNAD Contínua do IBGE, eram 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, recorde da série histórica. Elas representam 34,3% de todos os donos de negócio do país.

Quais são os maiores desafios do empreendedorismo feminino?

Os principais são acesso a crédito, com juros mais altos para mulheres, a dupla jornada, que tira em média seis horas semanais do negócio segundo o Sebrae, e a gestão financeira, como separar as contas, definir pró-labore e precificar.

Existe crédito específico para mulheres empreendedoras?

Sim. O Fampe Mulher, do Sebrae, oferece até 100% de garantia em empréstimos para negócios liderados por mulheres, por meio de instituições parceiras. Antes de contratar, calcule se o dinheiro vai gerar mais receita do que o custo dos juros.

Mulheres empreendedoras ganham menos que homens?

Sim. O Sebrae aponta que o rendimento médio das donas de negócio foi de R$ 2.867 no quarto trimestre de 2024, 24,4% menor que o dos homens que empreendem, mesmo com escolaridade média maior.

Como começar a empreender sendo mulher?

Comece testando a ideia com pouco investimento, separe o dinheiro do negócio do pessoal desde o primeiro dia, calcule o preço a partir dos custos e formalize como MEI quando a atividade ficar frequente. Rede de apoio e educação em gestão encurtam o caminho.

Vale a pena abrir MEI?

Para quem fatura dentro do limite e exerce uma atividade permitida, costuma valer. O MEI paga uma contribuição mensal fixa, emite nota fiscal e garante acesso a benefícios do INSS, como aposentadoria e salário-maternidade.

Empreendedorismo feminino no Brasil

O futuro do empreendedorismo feminino passa pela gestão

O empreendedorismo feminino já mostrou que tem tamanho: são milhões de mulheres sustentando casas, gerando empregos e movimentando a economia. O próximo capítulo é fazer esses negócios renderem mais para as suas donas, com margem, caixa e tempo livre.

Desafio Me Poupe!
Esta semana, faça uma coisa só: abra o extrato do último mês e separe, linha por linha, o que foi gasto da empresa e o que foi gasto seu. É o primeiro passo para o negócio parar de mandar em você.
De empreendedora a mulher de negócios
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