Os números das mulheres que empreendem no país, os desafios que pesam mais para elas e o caminho para o negócio parar de mandar na vida da dona.
Empreendedorismo feminino é a criação e a gestão de negócios liderados por mulheres. No Brasil, segundo o Sebrae, são 10,4 milhões de donas de negócio, o maior número da série histórica. Mesmo assim, elas ainda são cerca de um terço de quem empreende, ganham menos que os homens e enfrentam juros mais altos e jornada dupla.
Este guia reúne os dados mais recentes do empreendedorismo feminino no Brasil, aborda o papel do empreendedorismo feminino no país, destaca os desafios do empreendedorismo feminino no mercado atual, traz soluções para fortalecer o empreendedorismo feminino, apresenta caminhos práticos para o empreendedorismo feminino prosperar e orienta como aplicar o empreendedorismo feminino no dia a dia para sair do modo sobrevivência. Ao longo do texto, você encontra links para os guias de cada tema, de margem de lucro a precificação.

- O que é empreendedorismo feminino?
- Os números do empreendedorismo feminino no Brasil
- Por que tantas mulheres empreendem?
- Os desafios do empreendedorismo feminino
- 1. Crédito mais caro e mais difícil
- 2. Dupla jornada
- 3. Gestão: faturar não é lucrar
- A virada: de empreendedora a mulher de negócios
- Exemplo prático: o salão da Marta
- Passo a passo para organizar o seu negócio
- Onde buscar apoio para empreender sendo mulher
- Perguntas frequentes sobre empreendedorismo feminino
- O que é empreendedorismo feminino?
- Quantas mulheres empreendem no Brasil?
- Quais são os maiores desafios do empreendedorismo feminino?
- Existe crédito específico para mulheres empreendedoras?
- Mulheres empreendedoras ganham menos que homens?
- Como começar a empreender sendo mulher?
- Vale a pena abrir MEI?
- O futuro do empreendedorismo feminino passa pela gestão
O que é empreendedorismo feminino?
Empreendedorismo feminino é o conjunto de negócios criados, administrados ou liderados por mulheres, do MEI que vende bolo de pote à empresa com dezenas de funcionários. Entender o empreendedorismo feminino é vital. O conceito de empreendedorismo feminino também nomeia o movimento de apoio a essas mulheres, porque elas vivenciam o empreendedorismo feminino em condições diferentes das dos homens.
O empreendedorismo feminino não é um setor da economia. O movimento do empreendedorismo feminino é um recorte que ajuda a enxergar barreiras específicas do empreendedorismo feminino: menos acesso a crédito, menos tempo disponível por causa do trabalho doméstico e menos redes de contato no mundo dos negócios. Entender esse recorte do empreendedorismo feminino é o primeiro passo para jogar o jogo sabendo as regras do empreendedorismo feminino.
Os números do empreendedorismo feminino no Brasil
O cenário do empreendedorismo feminino nunca foi tão grande no país, reforçando a relevância do empreendedorismo feminino. Segundo estudo do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE sobre o empreendedorismo feminino, o Brasil tinha 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, impulsionando o empreendedorismo feminino contra 8,2 milhões em 2015: um crescimento de 27% em dez anos para o empreendedorismo feminino.
| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Mulheres donas de negócio | 10,4 milhões (dez/2025), recorde da série | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
| Participação entre todos os donos de negócio | 34,3%, embora sejam 51,8% da população em idade ativa | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
| Taxa de empreendedorismo | 11,5% entre mulheres; 23,6% entre homens | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
| Donas de negócio com CNPJ | 37% | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
| Pequenos negócios abertos por mulheres em 2025 | Mais de 2 milhões, cerca de 42% do total e recorde | Sebrae, a partir de dados da Receita Federal |
| Rendimento médio das donas de negócio | R$ 2.867, 24,4% menor que o dos homens (4º tri/2024) | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
| Donas de negócio que são chefes de domicílio | 52,3% | Sebrae, a partir da PNAD Contínua |
Traduzindo para o bolso: se o rendimento médio das empreendedoras é de R$ 2.867, a diferença de 24,4% em relação aos homens equivale a algo perto de R$ 900 a menos por mês. Em um ano, são mais de R$ 11 mil de diferença.
Outro dado do Sebrae mostra onde está o gargalo do empreendedorismo feminino: nas aberturas de 2025, as mulheres eram 42% de quem criou pequenos negócios no geral, mas só 39% entre as microempresas e empresas de pequeno porte no empreendedorismo feminino. Quanto maior o negócio no empreendedorismo feminino, menor a presença delas.
O mesmo levantamento mostra que o empreendedorismo feminino não está restrito a um setor. Em 2025, as mulheres estavam à frente de 45% dos negócios abertos na indústria, 44% nos serviços e 43% no comércio. Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou a proporção de empresas abertas por mulheres (44%), seguido do Rio Grande do Sul e de São Paulo (43% cada).
Os números contam duas histórias ao mesmo tempo. A primeira é de força: nunca tantas mulheres tiveram o próprio negócio. A segunda é de desigualdade: elas ainda faturam menos, crescem menos e chegam menos às empresas maiores. É nesse espaço entre as duas histórias que a gestão faz diferença.
Por que tantas mulheres empreendem?
As mulheres constroem o empreendedorismo feminino por oportunidade e por necessidade, impulsionando a força do empreendedorismo feminino. Há quem transforme um talento no empreendedorismo feminino em negócio e há quem recorra ao empreendedorismo feminino porque o mercado formal não coube na rotina.
Mais da metade das donas de negócio também é chefe de família, segundo o Sebrae. Isso explica por que muito empreendedorismo feminino nasce como renda extra e só depois vira empresa. Para quem está nessa fase, o guia de finanças para mulher chefe de família ajuda a organizar a casa enquanto o negócio cresce.
Os desafios do empreendedorismo feminino
Os principais desafios do empreendedorismo feminino no Brasil são três: acesso a crédito, dupla jornada e gestão do negócio. Eles se alimentam: menos tempo leva a menos gestão, menos gestão leva a menos crédito, e menos crédito trava o crescimento.
1. Crédito mais caro e mais difícil
Segundo o Sebrae, as mulheres que empreendem enfrentam taxas de juros mais elevadas. Para responder a isso, o Sebrae criou o Fampe Mulher, um fundo que oferece até 100% de garantia em empréstimos para negócios liderados por mulheres, por meio de instituições parceiras.
Crédito, porém, é ferramenta, não salvação. Empréstimo para cobrir buraco de caixa sem entender por que o buraco existe só aumenta o tamanho dele. Antes de pedir dinheiro emprestado, a pergunta é: esse dinheiro vai gerar mais receita do que o custo dos juros? Se a resposta não estiver clara, o problema provavelmente é de gestão, não de dinheiro.
2. Dupla jornada
O Sebrae aponta que as donas de negócio dedicam, em média, seis horas a menos por semana às suas empresas do que os homens, por causa da sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado. São mais de 24 horas por mês, quase um dia inteiro de trabalho que não vai para o negócio.
A saída não é trabalhar mais horas, é fazer as horas renderem mais: preço que paga o tempo, processos simples, rede de apoio e coragem para dizer não ao cliente que não cabe. O empreendedorismo feminino cresce de verdade quando a dona deixa de ser a única peça que faz tudo funcionar.
3. Gestão: faturar não é lucrar
Muita mulher aprende a fazer o produto ou o serviço com excelência, mas ninguém ensinou a gerir. Aí aparecem os sintomas: dinheiro da empresa pagando o mercado de casa, preço definido no chute e faturamento alto com nada sobrando no fim do mês. Se isso soa familiar, comece pelos 5 sinais de que o seu negócio não dá lucro.
Como resume a Nathalia Arcuri, especialista em finanças e fundadora da Me Poupe!, sobre uma aluna: “Ela aprendeu a empreender, mas não aprendeu a ser empresária.”
Gestão se aprende. O Workshop Mesa de Negócios, da Me Poupe!, foi desenhado para isso: finanças do negócio, decisão, liderança e crescimento com caixa, com estudos de caso e linguagem Me Poupe!. Bora garantir sua vaga? Clique aqui e inscreva-se.

A virada: de empreendedora a mulher de negócios
A virada do empreendedorismo feminino acontece quando a dona sai do modo “eu preciso” para o modo “eu posso escolher”. No modo “eu preciso”, ela aceita qualquer cliente, trabalha no sábado, dá desconto que não cabe e sente que o negócio controla o tempo, o dinheiro e as escolhas dela.
No modo “eu posso escolher”, o negócio tem margem para dizer não. Não porque ela trabalha pouco, mas porque o preço paga o tempo, o caixa tem reserva e as decisões são tomadas olhando números, não medo. É a diferença entre ter um emprego que você mesma criou e ter uma empresa que trabalha para você.
| Modo “eu preciso” | Modo “eu posso escolher” |
|---|---|
| Aceita todo cliente, mesmo o que dá prejuízo | Escolhe clientes pelo valor que eles trazem |
| Preço no chute ou copiado da concorrência | Preço calculado a partir do custo e da margem |
| Tira dinheiro do caixa quando precisa | Paga a si mesma um pró-labore fixo |
| Faz tudo sozinha | Delega, terceiriza ou automatiza o que não é estratégico |
| Crescer dá medo de perder o controle | Cresce com caixa e com processo |
A Nath conhece esse caminho de perto: “Aconteceu comigo e tudo o que eu queria era que a minha empresa diminuísse.” Crescer não é sucesso absoluto. A meta é um negócio que entregue o que a dona quer conquistar com ele.
Exemplo prático: o salão da Marta
Vamos dar uma olhada na prática: quando o caixa do negócio vira a carteira da dona. A Marta tem um salão de beleza que fatura, em média, R$ 12.000 por mês e gasta R$ 7.800 com aluguel, produtos, comissão da manicure, energia e impostos. Fazendo uma conta rápida, sobram R$ 4.200 de lucro antes de pagar a própria Marta.
Só que ela não tem salário definido: tira dinheiro do caixa quando precisa. No fim do mês, as retiradas somam cerca de R$ 5.000. Mais uma conta rápida: 4.200 − 5.000 = R$ 800 negativos por mês. O negócio parece cheio de clientes e vive no limite.
E é aí que vem a virada da Marta: ela define um pró-labore fixo de R$ 3.000 e separa as contas. Agora sobram 4.200 − 3.000 = R$ 1.200 por mês no negócio.
Em seis meses, são R$ 7.200 de reserva para emergências, equipamento ou reforma.
Mesmo salão, mesmos clientes. Mas repare que o primeiro movimento não foi vender mais, mas sim mudar a gestão. É exatamente o que mostram os nossos guias de como separar o dinheiro da empresa do pessoal e de como calcular margem de lucro.
Passo a passo para organizar o seu negócio
Organizar o negócio é o que transforma o empreendedorismo feminino de sobrevivência em empreendedorismo de crescimento. Este é o caminho, na ordem em que costuma funcionar melhor:
1. Separe as duas vidas financeiras. A da empresa e a sua não podem se misturar, como mostra o livro Chefe de mim, da Nathalia Arcuri. Conta separada, sempre. Veja o passo a passo.
2. Defina o seu pró-labore. Um valor fixo, pago todo mês, que caiba no lucro do negócio.
3. Calcule a sua margem de lucro. Descubra quanto sobra de verdade a cada R$ 100 vendidos com o guia de margem de lucro.
4. Revise o preço. Se você vende serviço, calcule o custo da sua hora com o guia de precificação de serviços e confira se você está cobrando certo.
5. Monte a reserva de emergência do negócio. Separe uma parte do lucro todo mês até ter alguns meses de custos fixos guardados.
6. Formalize. Se ainda não tem CNPJ, veja se o MEI serve para você no texto sobre o limite do MEI. Formalizar abre portas para crédito, nota fiscal e benefícios do INSS.
7. Só então pense em crescer. Contratar, abrir filial ou buscar crédito faz sentido quando os números mostram que o negócio aguenta.
Para quem está começando do zero, o texto sobre os três passos financeiros para começar a empreender é a porta de entrada. Para quem já empreende, as finanças para empreendedoras aprofundam cada etapa.

Onde buscar apoio para empreender sendo mulher
Ninguém constrói um negócio sozinha. Rede de apoio é estratégia, não luxo. Estes são os caminhos mais comuns:
- Sebrae: cursos, consultorias e programas voltados a mulheres, além do Fampe Mulher para garantia de crédito.
- Comunidades de empreendedoras: grupos do seu setor ou da sua cidade para trocar fornecedores, indicações e experiências.
- Contadora ou contador: para escolher o regime tributário e manter o CNPJ em dia.
- Educação em gestão: cursos e programas que ensinam finanças, liderança e estratégia na prática.
Para se inspirar, a Me Poupe! reuniu histórias de empreendedoras de sucesso no Brasil, 5 lições de mulheres empreendedoras e 7 lições de Luiza Trajano. E para os comentários que toda dona de negócio já ouviu, tem o guia das 6 frases que toda mulher empreendedora já ouviu e como responder.
E se o que você procura é um programa completo, com comunidade de mulheres, estudos de caso e prática de mercado, conheça o Workshop Mesa de Negócios.
Perguntas frequentes sobre empreendedorismo feminino
O que é empreendedorismo feminino?
Empreendedorismo feminino é a criação e a gestão de negócios liderados por mulheres, de MEIs a empresas maiores. O termo também nomeia o movimento de apoio a essas mulheres, que empreendem com barreiras específicas, como crédito mais caro e menos tempo disponível.
Quantas mulheres empreendem no Brasil?
Segundo o Sebrae, com base na PNAD Contínua do IBGE, eram 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, recorde da série histórica. Elas representam 34,3% de todos os donos de negócio do país.
Quais são os maiores desafios do empreendedorismo feminino?
Os principais são acesso a crédito, com juros mais altos para mulheres, a dupla jornada, que tira em média seis horas semanais do negócio segundo o Sebrae, e a gestão financeira, como separar as contas, definir pró-labore e precificar.
Existe crédito específico para mulheres empreendedoras?
Sim. O Fampe Mulher, do Sebrae, oferece até 100% de garantia em empréstimos para negócios liderados por mulheres, por meio de instituições parceiras. Antes de contratar, calcule se o dinheiro vai gerar mais receita do que o custo dos juros.
Mulheres empreendedoras ganham menos que homens?
Sim. O Sebrae aponta que o rendimento médio das donas de negócio foi de R$ 2.867 no quarto trimestre de 2024, 24,4% menor que o dos homens que empreendem, mesmo com escolaridade média maior.
Como começar a empreender sendo mulher?
Comece testando a ideia com pouco investimento, separe o dinheiro do negócio do pessoal desde o primeiro dia, calcule o preço a partir dos custos e formalize como MEI quando a atividade ficar frequente. Rede de apoio e educação em gestão encurtam o caminho.
Vale a pena abrir MEI?
Para quem fatura dentro do limite e exerce uma atividade permitida, costuma valer. O MEI paga uma contribuição mensal fixa, emite nota fiscal e garante acesso a benefícios do INSS, como aposentadoria e salário-maternidade.

O futuro do empreendedorismo feminino passa pela gestão
O empreendedorismo feminino já mostrou que tem tamanho: são milhões de mulheres sustentando casas, gerando empregos e movimentando a economia. O próximo capítulo é fazer esses negócios renderem mais para as suas donas, com margem, caixa e tempo livre.
| Desafio Me Poupe! Esta semana, faça uma coisa só: abra o extrato do último mês e separe, linha por linha, o que foi gasto da empresa e o que foi gasto seu. É o primeiro passo para o negócio parar de mandar em você. |
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