O Banco Central divulgou nesta semana que o endividamento das famílias com o sistema financeiro bateu recorde no mês de abril deste ano, chegando aos 58,5%, o que deve atrapalhar os planos da nossa tão desejada retomada da economia. Pra ajudar quem estiver assim a dar a volta por cima, separei 7 atitudes pras famílias colocarem em prática.

 

Por Me Poupe!

Aposto que você já viu um anúncio assim: “Família Vende Tudo”! Pois então, comece agora mesmo a se organizar pra vender a sua família! Brincadeirinha! Mais ou menos. O Banco Central divulgou nesta semana que o endividamento das famílias com o sistema financeiro bateu recorde no mês de abril deste ano, chegando aos 58,5%, o que deve atrapalhar os planos da nossa tão desejada retomada da economia. Esse indicador mede a relação entre o saldo das dívidas das famílias no mês de referência e a renda acumulada em 12 meses.

“Ain, Me Poupe!, não me faça roer as unhas de tanta aflição! Mas o que isso quer dizer?”

Pois é, eu fiquei bastante preocupada com vocês! Mas calma que eu vou explicar tudo, Mepoupeira! e Mepoupeiro!, e ainda vou dar dicas pra ajudar quem estiver nessa situação. Bom, de maneira simples, isso significa que, de cada R$ 100,00 nos orçamentos familiares, R$ 58,80 estão comprometidos com dívidas. Ou seja, a crise econômica impulsionada pela pandemia, fez o endividamento das famílias aumentar, com o valor total de créditos pras pessoas crescendo mais do que a renda delas.

 

#PRATODOSVEREM: Nathalia Arcuri, em preto e branco, com expressão preocupada dizendo “quem tá chocada sou eu”

 

Então, se você ou seu vizinho ou a família do seu amigo ou a família da sua namorada estiver nessa situação, PRESTA ATENÇÃO, que vou ajudar todo mundo a fazer uma revisão no orçamento familiar, reverter essa treta e fugir de novos endividamentos.

 

Dívida X Inadimplência

Vamos começar esclarecendo uma coisa muito importante e que normalmente deixa todo mundo confuso mesmo: a diferença entre endividamento e inadimplência. E pra trazer a coisa certinha, eu fui até o dicionário. Saca só:

dí·vi·da

Ato ou efeito de dever algo a alguém; obrigação de dar, fazer ou pagar algo (geralmente alguma quantia em dinheiro) a outrem; obrigação.

Ou seja, dívida é o que uma pessoa tem a pagar daqui pra frente: o empréstimo feito pra comprar um carro, o financiamento de uma casa, a fatura do cartão de crédito, o dinheiro que pegou emprestado com o amigo etc. Ao assumir esses compromissos e obrigações, a pessoa assumiu um endividamento. Elas podem até estar com o pagamento dessas dívidas em dia, mas se olhar pro futuro, ela tem coisas a pagar. As pessoas sem perceber criaram um cenário para o surgimento de uma inadimplência, se algo sair do controle.

 

i·na·dim·plên·ci·a

Descumprimento de um contrato ou de qualquer obrigação; descumprimento, inadimplemento.

Em resumo, é quando a coisa sai do controle e a pessoa deixa de pagar a dívida. A situação de inadimplência mostra bem os riscos dos endividamentos, pois quando uma pessoa se endivida, ela está criando uma obrigação, muitas vezes sem ter certeza do quanto vai ganhar no futuro. O endividamento é certo, mas a receita, não.

 

#PRATODOSVEREM: Nath no estúdio, de colete vermelho, com as mãos levantadas e dizendo: “CALMA!”

 

Economia mais instável por conta da pandemia

Dados econômicos como esse vêm mostrando que as dificuldades deste momento que o país atravessa tendem a continuar ainda por um tempo, então é importante ter atenção s a eles. Toda semana, inclusive, o nosso muso da renda variável, o Professor Mira faz uma análise do Boletim Focus, do Banco Central, que traz as medianas dos principais indicadores do país e que servem de termômetro para a economia de maneira geral – e que impacta diretamente no seu bolso. Então, quanto mais você souber entendê-los, mais saberá esquivar-se dos problemas e até reconhecer oportunidades.

 

Famílias endividadas

Então, voltando: famílias endividadas (quem tem dívidas já previstas) e que estão vendo a renda de seus integrantes cair mês a mês (por variados motivos: perdeu o emprego, diminuiu vendas, fechou seus negócios, encerrou contratos, teve o salário reduzido, etc.), estão recorrendo mais aos créditos e, automaticamente, estão correndo o risco de ficar cada vez mais inadimplentes.

E uma triste realidade bate à porta de uma parte significativa dessas famílias, com a crise atual: endividada e sem renda, recorre a créditos pra pagar não apenas as dívidas de financiamentos e empréstimos, mas pra contas básicas como aluguel, alimentação, água e luz. Sem conseguir pagar as contas, as famílias estão financiando gastos de consumo.

“Me Poupe! do céu, as definições de ‘vender o almoço pra comprar a janta’ foram atualizadas, é isso?”

Isso mesmo, minha pupila e meu pupilo. Mas pra ajudar quem estiver assim a nadar de volta pra um porto seguro e fugir da onda maligna da inadimplência, eu separei essas atitudes pras famílias colocarem em prática.

 

Nathalia Arcuri estendendo a mão, como se oferecesse ajuda

#PRATODOSVEREM: Nathalia Arcuri estendendo a mão, como se oferecesse ajuda

 

Essa família é muito unida, e também endividada… 

“Me Poupe!, a música tá errada. Mas eu e minha família estamos endividados e precisamos sair dessa situação! O que eu faço?”


1. Saber o quanto a família ganha

 

A primeira coisa é saber o quanto a família ganha, o quanto gasta e onde gasta. Ter uma noção clara de qual é a receita da família, somando os ganhos exatos de todo mundo. Pra quem não tem uma receita fixa, que varia ao longo do tempo, deve considerar um valor médio. No geral, quem está endividado pode considerar uma estimativa de renda mais realista. Por exemplo, olhando a situação econômica, levar em conta o seguinte: se esse mês a economia está semelhante ao mês passado, provavelmente a estimativa da renda desse mês será mais ou menos parecida com a do mês anterior. Se não tiver noção nenhuma de valores, considere um montante um pouco mais baixo, pra ter certeza de que vai criar um plano que vai conseguir manter.

 


2. Saber o quanto a família gasta

 

A segunda coisa é saber, de fato, o quanto a família gasta e onde gasta, considerando todas as pessoas. É importantíssimo que todos os membros saibam seus hábitos de consumo. O quanto gasta com supermercado, alimentação, farmácia, moradia, o valor das contas de energia, água, gás, etc. Fazer um mapeamento completo, pode ser em um caderninho, numa tabelinha, planilha ou aplicativo, pra visualizar o quanto as pessoas gastam.

É recomendado que todos da família, sem exceção, façam esse controle pelo período de 1 a 2 semanas. Tomou um cafezinho na rua? Anota. Parou o carro no estacionamento ou pegou uma condução: anota. Pagou com cartão de débito ou crédito: anota. Pagou em PIX ou boleto? Anota. E ATENÇÃO: anote, inclusive, tudo o que pagou com dinheiro vivo. Muitas vezes o problema está justamente aí, pois como diz a canção: “dinheiro na mão é vendaval…”. Só dá pra ter uma visibilidade geral se levar tudo isso em conta!


3. Estabelecer prioridades

 

Depois de fazer o mapeamento de tudo o que gasta, o fundamental é entender o que é prioritário. Então, é só colocar na ordem: o que é prioridade e o que não é. Prioridade são as contas de consumo essenciais: conta de água, luz, aluguel, comida, remédio, etc., enfim, aquilo que não pode deixar de pagar. Dentro desse consumo, é importante ter certeza se não tem desperdício ou se alguma parte desse consumo não está com algum tipo de negligência.

Então é checar tudo: será que não estou comprando mais do que consumo e não estou jogando coisa fora? Será que não estou deixando luzes desnecessárias acesas? Será que tem medidas dentro de casa que posso tomar, junto com a minha família, pra reduzir gastos com água, luz, telefone etc.? Isso é fundamental pra saber quanto a família está gastando com as contas essenciais e entender se pode reduzir ou não esses gastos.

 

Nathalia Arcuri de blusa verde, com o dedo polegar e o indicador juntos e na frente dos olhos, como se imitasse binóculos

#PRATODOSVEREM: Nathalia Arcuri de blusa verde, com o dedo polegar e o indicador juntos e na frente dos olhos, como se imitasse binóculos


4. Cortar o que não é essencial do consumo 

 

Depois de limar os desperdícios, chegou a hora de cortar do consumo de tudo o que não é essencial e que não vai gerar problema pra sua vida. Alguns exemplos: cortar a pizza do fim de semana e os vários pedidos pelos app de comida, roupas e sapatos, presentes, ou seja, diminuir consumos de bens que não são fundamentais e, em alguns casos, deixar de sair, ou escolher lugares próximos, pra economizar combustível ou no valor da condução. Ao invés de gastar esse dinheiro, ele pode ser usado pra organizar o orçamento familiar.

 


5. Pagar as dívidas

 

Esse ponto é muito importante: se possível, as dívidas já contraídas devem ser consideradas prioridades e devem ser quitadas, pois as dívidas em aberto ficam com juros correndo e se elas não são pagas, elas aumentam e geram novas dívidas. Algumas medidas recentes podem facilitar: a Nova Lei do Superendividamento lançada recentemente com novas regras de negociação e recuperação de crédito, e a campanha “Limpa Nome”, da Serasa, que permite negociações de débitos com descontos de até 99%. Nesse post eu explico tudo direitinho.


6. Ter muita disciplina e não fazer novas dívidas

 

Coloque a disciplina nessa missão: tanto pra anotar o que gasta quanto pra abrir mão das coisas que gosta de fazer. Esse Poupecast especial traz 5 atitudes que te SALVAM das dívidas! Reserve um tempinho, clica nele e escute o que a Nath Arcuri conta sobre as parcelas de cartão de crédito que fingem não ser dívidas. Ouça e salve o seu dinheiro de mais um endividamento e se proteja dos juros que correm feito lobos!

 

Nathalia Arcuri com as mãos do lado da cabeça, como se sua mente tivesse explodindo, falando "uau!"

#PRATODOSVEREM: Nathalia Arcuri com as mãos do lado da cabeça, como se sua mente tivesse explodindo, falando “uau!”


7. Alerta máximo: para quem está endividado e inadimplente

Mas se a coisa tá feia e a pessoa está endividada e inadimplente, sem dinheiro pra pagar as contas, o conselho principal é tentar salvar pelo menos as contas essenciais. Economizar ao máximo pra garantir a moradia (se não der pra morar com alguém e poupar o aluguel), comida, água, luz e o medicamento (se não der pra pegar no posto de saúde). Outra coisa é tentar entender o que dá pra fazer pra melhorar e sair da situação de lashcada ou de lashcado! Olhar pra vida, de forma realista, e se perguntar: quais são as suas aptidões e características? O que pode fazer pra melhorar? Onde será que dá pra tentar encontrar uma oportunidade? Enfim, será que dá pra se reinventar?